A elegância que nasce do interior

José Donizetti dos Santos

Muitas pessoas acreditam que elegância pode ser adquirida nas boutiques da vida, contudo se esquecem de prestar atenção na postura de seu corpo, nos seus gestos, nas expressões do rosto, no olhar, no tom de suas palavras e no modo como as pronuncia ao dirigir-se às pessoas.

A elegância começa a brotar e se desenvolver no interior de cada pessoa. É fruto da qualidade dos seus pensamentos, da determinação, do respeito, da compreensão, do amor à vida nas suas diversas manifestações.

Nada, assim, que esteja à venda em qualquer boutique. A elegância é simples e, ao mesmo tempo, desafiadora, já que espelha o estado interior da pessoa.

Em minha opinião, podemos considerar que a elegância poderia ser uma filosofia de vida que se mostra nos comportamentos e nas atitudes. Seus pilares bem que poderiam ser a delicadeza, a educação e a cultura. Uma maneira de ser e de estar: com integridade e inteireza, positividade e harmonia, manifestando, externa e interiormente, seu jeito de viver, pensar, estar, vestir, mover-se e relacionar-se com os demais, com graça, nobreza, simplicidade, respeito ao jeito de ser de cada um, com naturalidade e bom gosto.

A elegância se manifesta no melhor que existe em cada pessoa: na maneira bondosa e gentil em com os outros, no bom gosto com os detalhes da vida que a rodeia e no estilo próprio da maneira de apresentar-se. Tem a ver com o pudor, com cuidado, desvelo e solicitude.

A verdadeira elegância somente pode revelar-se se for com naturalidade, que tem tudo a ver com espontaneidade e autenticidade. A moderação e a cortesia também fazem parte da naturalidade. Como tudo na vida, os excessos são bastante deselegantes, porque fazem com que os gestos não sejam sinceros. Agir espontaneamente, com gosto e estilo pessoal e leveza mostra a elegância que vem do interior da pessoa.

Em se tratando de elegância é fundamental lembrar que beleza significa, em primeiro lugar, harmonia e proporção das partes dentro do todo, sejam as partes do corpo, da vestimenta, da linguagem ou da conduta, da maneira de agir, de falar e, até mesmo, de olhar.

A elegância é a presença do belo na figura, nas atitudes e movimentos e na compostura. A compostura ou decoro é uma virtude que regula os movimentos externos de corpo, afirmava Santo Tomás de Aquino.
Manter a compostura exige cuidado e tempo, obrigando dedicar atenção e ocupar-se de si mesmo e da própria aparência.

O universo interior é o mais importante da pessoa e abarca suas opiniões, seus critérios, suas crenças, suas escolhas e, até mesmo, suas utopias.
O glamour, palavra inglesa, tem sua mais fiel tradução na palavra “encanto”, que nos sugere sempre algo irresistivelmente atrativo. O encanto é o resultado de combinar: cultura, boa educação, respeito pelos outros, capacidade para escutar, fina sensibilidade, delicadeza no trato, amabilidade, solidariedade. As pessoas com glamour se caracterizam por sua capacidade de respeito frente às opiniões alheias e pela serenidade que sempre as acompanha.

A pessoa não é responsável pela cara que tem, mas, sim, pela cara que mostra aos demais. Ou seja, cada qual pode, ademais de sua aparência, bela ou não, apresentar-se elegante nos movimentos e, sobretudo, na amabilidade e simpatia. Contudo, tal imagem não brota da noite para o dia, mas, sim, é preciso moldá-la, educá-la e adequá-la a cada situação. “Tudo se finge primeiro; germina autêntico é depois” (G. Rosa).

Concluindo, podemos dizer que elegância não deve notar, deve estar. É preciso demonstrar o que somos, respeitosos e agradáveis para com as pessoas e trabalhar para ressaltar sempre o positivo de nossa personalidade e avaliar os negativos.

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